capítulo 1: o começo do terror
Em 2037 a humanidade se preparava para se lançar na Terceira Guerra Mundial. A corrida armamentista corria solta por todo o globo. Máquinas de guerra cada vez mais sofisticadas eram desenvolvidas e produzidas em massa. Todos os holofotes estavam apontados para os locais nos quais o conflito poderia estourar. Essa distração criado pelo medo coletivo acabou mascarando uma catástrofe iminente.
Longe dos olhares do grande público e das pessoas com poder alguns poucos cientistas debatiam e investigavam estranhos fenômenos que começavam a ocorrer por toda parte. Apagões sem motivo aparente, acidentes aéreos em que as investigações não faziam ideia do porque ocorreram, fenômenos magnéticos intensos capazes de afetar bússolas a quilômetros de distância, tempestades elétricas, quedas de sinal de Wi-Fi, telefone e GPS, animais com comportamento anormal e pessoas afirmando terem visto luzes estranhas mas não conseguiram gravar pois seus celulares e câmeras entravam em curto.
Após 1 anos de investigação foi descoberto que esses fenômenos eram causados por anomalias eletromagnéticas que no seu centro eram fortes o suficiente para literalmente explodir aparelhos eletrônicos que fossem colocados a algumas algumas dezenas de metros do centro. Os pesquisadores da época ainda não compreendiam o que eram essas anomalias, mas reconheceram a ameaça em potencial que representavam já que elas ocorriam sem motivo aparente em locais aleatórias e já aviam causado grandes prejuízos e até fatalidades. Eles ainda nem imaginavam o verdadeiro terror que elas causariam. O mundo continuou a ignora-los ainda preocupados com conflito.
Apesar da ignorância do público eles seguiram com as pesquisas. Como os fenômenos ocorriam tendo como único aviso prévio oscilações eletromagnéticas e não duravam mais do que algumas horas era muito difícil de conseguir observa-los antes que terminassem. Além disso no começo tudo tinha que ser feito sem apoio de aparelhos eletrônicos ou elétricos já que davam curto e explodiam, apenas depois de um bom tempo conseguiram montar proteções para conseguir utilizá-los.
No início era possível ver esferas de luz amareladas do tamanho de bolas de vôlei que flutuavam em círculos no centro das anomalias, eram quase translúcidas mas com o tempo foram percebendo que a cada anomalia que observavam as esferas ficavam mais visíveis e algumas apareciam em cores diferentes, as vezes mais laranjas e outras mais vermelhas mas a maioria delas seguiam sendo amarelas. Também começaram a ver deformações visuais, como se o ar estivesse sendo dobrado de forma que não importava de que ângulo ou distância fosse visto ela parecia um círculos no meio do ar, o diâmetro variava mas no geral era semelhante ao de um pneu de caminhão. As esferas brilhantes orbitavam essas deformações e a cada anomalia a velocidade delas aumentava.
No dia 25 de janeiro de 2039 no sul da Itália uma das anomalias fez algo inusitado. As esferas luminosas começaram a aumentar sua velocidade de orbita, em um momento estavam tão rápidas que formavam anéis de luz ao redor da distorção. Os anéis começaram a comprimir tapando a distorção como uma capa, assim que ela ficou totalmente coberta, formando uma grande esfera luminosa, ela se expandiu gerando uma pequena onda de impacto. Seu diâmetro era de 2 metros e o formato final lembrava um buraco negro amarelado e brilhoso. Os 5 pesquisadores que acompanhavam essa anomalia ficaram boquiabertos, registraram tudo o que podiam mas não se arriscaram a chegar muito perto. Eles não faziam ideia mas tinham acabado de presenciar o primeiro portal sendo aberto, felizmente nada atravessou esse, mas o próximo não seria tão tranquilo.
A equipe compartilhou a descoberta com os outros investidores, antes que pudessem ir a público um outro portal se abriu numa zona rural no interior dos Estados Unidos e um monstro do tamanho de um cavalo e que lembrava um lobo saiu desse portal. Ele atacou fazendas da região antes de ser morto pela população. Na semana seguinte outro se abriu na Índia e dele saiu outro monstro que lembrava uma enorme barata e que causou pânico em um cidade pequena. Ao longo dos dia seguintes outros portais se abriram em áreas bem isoladas e na grande maioria algo saiu de dentro. Assim que a equipe foi a público com todos os registros que tinham dos portais e dos monstros eles foram ridicularizados e ignorados, muitos acreditavam que estavam apenas tentando distrair o mundo da guerra iminente com mentiras idiotas.
Foi só no dia 22 de fevereiro de 2039 que todos finalmente acordaram para a catástrofe que se formava. Um enorme portal se abriu no centro de São Paulo. Tinha diâmetro de mais de 9 metros, causou pânico e caos quando surgiu. Sua influência eletromagnética provocou um apagão e as pessoas mais próximas do portal sofreram com os seus eletrônicos entrando em curto. Depois de alguns minutos após seu surgimento 7 monstros saíram de dentro dele, todos eram semelhantes, seres que lembrava um louva-a-deus com garras de caranguejo e alguns pares extras para estruturas que lembravam lâminas, eles tinham tamanhos entre 5 a 8 metros. 8 horas de pânico, dezenas de estruturas destruídas, 2.378 de mortos e outros milhares de feridos foi o saldo desse ataque. Apesar das criaturas não serem muito resistentes eram ágeis, além disso as forças armadas demoraram muito para começar a atuar.
A notícia desse repentino ataque se espalhou pelo mundo como fogo e antes que as pessoas pudessem compreender o que havia ocorrido um segundo ataque aconteceu no Japão, um portal se abriu em Tokyo um dia após o de São Paulo. Depois teve outro na África do Sul, no mesmo dia um no Havaí e assim por diante. Todos os dias portais se abriam por todo o mundo trazendo com eles horrores nunca antes vistos.
Durante os anos que se seguiriam a humanidade parou de procurar maneiras de se destruir e começou desesperadamente a caçar meios de se defender. Ao longo disso foram desenvolvidas muitas tecnologias novas, maneiras de detectar os portais antes que surgissem, meios de diminuir as chances de um portal surgir dentro de cidades, armas feitas para abater os monstros, entre muitas outras. Algumas das máquinas mais curiosas criadas foram os mechas. São muito úteis por serem ágeis, versáteis, adaptáveis, letais e podiam ser montados em massa.
No Brasil os mechas foram designados como mek’s, os monstros de Invasores e os portais de Portais M. Apesar das forças armadas e outras organizações públicas e privadas terem montado mechas e outros meios de enfrentar os Invasores ainda não era o suficiente para defender todo o território do país. O foco passou ser defender os grandes sentidos populacionais (como as capitais dos Estados) e alguns pontos de interesse (como minas, campos e fabricas), o resto foi deixado como baixa prioridade. Em caso de emergência poderiam pedir apoio publico mas eram tantas chamadas que levavam horas, dias ou ate semanas para um pedido ser atendido, muitas vezes chegavam tarde demais. Já o apoio privado é muito caro.
Assim as pequenas cidades começaram a se organizar para se defenderem. Com o objetivo de evitar conflitos e organizar a luta contra os monstros o governo deu as defesas organizadas desses municípios o título de FDI, sigla para Força de Defesa Improvisada.
